Ex-assessor de Bolsonaro é preso preventivamente por descumprir proibição de acessar redes sociais.

Filipe Martins, condenado a 21 anos por tentativa de golpe de Estado, foi preso pela Polícia Federal em Ponta Grossa (PR) após realizar uma busca na rede social LinkedIn, violando medida cautelar imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A ação judicial converteu a prisão domiciliar, decretada na semana passada, em prisão preventiva.

POLITICA

1/2/20263 min read

O caso envolve um dos núcleos centrais da investigação sobre os atos golpistas de 2022, com o ex-assessor sendo acusado de ser o elo que entregou ao ex-presidente Jair Bolsonaro a minuta de um decreto para fechar o STF.

🔍 Quem é Filipe Martins?

· Função no governo: Filipe Garcia Martins Pereira, de 35 anos, foi assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, nomeado em janeiro de 2019.

· Perfil: Natural de Sorocaba (SP), era considerado parte da "ala ideológica" do governo, com ligações com o escritor Olavo de Carvalho e os filhos do ex-presidente.

· Condenação: Em 16 de dezembro de 2025, foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, associação criminosa e dano qualificado, entre outros.

⚖️ O papel na trama golpista

A principal acusação contra Martins está relacionada à chamada "minuta do golpe", um documento que previa a prisão do ministro Alexandre de Moraes e a convocação de novas eleições.

· Entrega do documento: Segundo depoimentos à PF, foi Martins quem entregou fisicamente a minuta a Jair Bolsonaro.

· Alterações presidenciais: O ex-presidente, após ler, teria pedido alterações no texto, optando por manter apenas a prisão de Moraes e a convocação de um novo pleito.

· Núcleo do plano: Ele integrava o chamado "Núcleo 2" da organização criminosa, responsável por gerir iniciativas como o uso de forças policiais para se manter no poder e a coordenação dos atos de 8 de janeiro de 2023.

📅 Linha do tempo: da casa à cadeia

· 16 de dez. de 2025: Condenado pelo STF a 21 anos de prisão.

· 27 de dez. de 2025: Teve sua medida cautelar (tornozeleira eletrônica) convertida em prisão domiciliar por decisão de Moraes. A mudança foi uma reação do ministro após a tentativa de fuga para o Paraguai do ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, também condenado. A defesa de Martins criticou a decisão, alegando que era um "ato de terceiros" e violava o princípio da individualidade da pena.

· 29 de dez. de 2025: O STF tomou conhecimento de que o perfil de Filipe Martins no LinkedIn havia sido usado para buscar perfis de terceiros.

· 30 de dez. de 2025: Moraes intimou a defesa para prestar esclarecimentos em 24 horas.

· 31 de dez. de 2025: A defesa respondeu, alegando que o acesso foi feito exclusivamente por advogados para "preservar, organizar e auditar" informações para o processo, e que Martins não detém as credenciais de acesso desde abril de 2023.

· 2 jan. de 2026 (manhã): Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva, considerando que a medida cautelar foi descumprida. Ele argumentou que "a própria defesa reconhece a utilização da rede social" e que isso demonstra "desprezo pelas medidas impostas".

· 2 jan. de 2026 (tarde): Agentes da Polícia Federal prenderam Martins em sua casa em Ponta Grossa e o conduziram à Cadeia Pública Hildebrando de Souza na mesma cidade.

🗣️ A versão da defesa e os próximos passos

A defesa de Filipe Martins sustenta a inocência do cliente em relação às acusações de golpe e qualificou a última prisão como mais um "abuso". Sobre o acesso ao LinkedIn, os advogados argumentam que a ferramenta "Quem viu seu perfil" pode ter sido acionada por uma "mera visualização" passiva, não por um uso ativo da plataforma.

O ex-assessor ainda não começou a cumprir a pena de 21 anos, pois pode recorrer da condenação em última instância. A prisão decretada hoje é preventiva, ou seja, tem como objetivo garantir a ordem processual e o cumprimento da lei, e não serve como início do cumprimento da pena definitiva. A defesa pode entrar com novos recursos para tentar reverter essa decisão cautelar.